Biblioteca Digital das Bibliotecas Escolares do Agrupamento de Escolas de Padre Benjamim Salgado: A Casa de Camilo (ESPBS); Bernardino Machado (EBBM); O Mundo da Imaginação (EB. Joane); O Mundo dos Sonhos (EB. Boca do Monte ); O Mundo dos Livros (EB. Agra Maior); Ponto de Biblioteca (EB. Pousada de Saramagos), Vila Nova de Famalicão.
sábado, 28 de junho de 2008
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Top+ do 3º Período
Leitores do 3º Período
1- Marta Carvalho - 10ºB
2- Sara Mendes - 10ºE
3- Sara Ribeiro - 12ºB
Autores mais lidos
1- Nicholas Sparks
2- José Saramago
3- Paulo Coelho
4- R. L. Stine
Filme mais visto
- Click
CD mais ouvido
- Now 17
Total de empréstimos domiciliáros neste período: 580
1- Marta Carvalho - 10ºB
2- Sara Mendes - 10ºE
3- Sara Ribeiro - 12ºB
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4- R. L. Stine
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terça-feira, 17 de junho de 2008
Ler é fácil
LER – verbo com dois complementos e muitos significados,
no segundo aniversário do Plano Nacional de Leitura.
O acto de ler tem, por detrás de si o desejo e a vontade. Por vezes, ler
é mesmo uma fixação. Assim, nunca se impõe nem a crianças nem a adultos.
Pelo que, apenas na poesia se pode afirmar: “Ai que prazer / Não cumprir um
dever, / Ter um livro para ler / E não fazer! / Ler é maçada […]”, como refere
Fernando Pessoa.
Todavia, estamos alertados desde o século XIX, para o facto de que “É coisa
fácil ler; mas é difícil reflectir. Não podemos apropriar-nos das ideias dos
outros senão pela reflexão, que faz parte de nós mesmos.” (E. M. Campagne,
Dicionário Universal de Educação e Ensino)
É que ler não é apenas a pura operação mecânica de juntar letras, formando
palavras, que transportam sentidos. É, antes, aceder ao conhecimento das
duas realidades que nos são naturais: o mundo e o homem. Por isso a leitura
é importante e a sua ausência limita a cidadania.
Há quem diga que na Grécia não havia analfabetos entre os cidadãos
gregos, cerca de um terço dos habitantes, sendo os dois restantes
constituídos por escravos e estrangeiros. É que a leitura era uma actividade
ritual, inerente à cidadania e à vida democrática, fosse no teatro, fosse no
culto, fosse na administração popular da justiça. A leitura pública fazia parte
da maioridade cívica. Era pelo rito, incluindo a leitura, que o jovem assimilava
o pensar e o sentir, o fazer e o ver, o atacar, o defender e o decidir.
Ontem como hoje, lê-se sempre o homem, todos os homens, interior ou
exteriormente; lê-se sempre o mundo, social e político, mas também físico,
metafísico ou cósmico. Estes são os complementos sobre os quais recai a
é mesmo uma fixação. Assim, nunca se impõe nem a crianças nem a adultos.
Pelo que, apenas na poesia se pode afirmar: “Ai que prazer / Não cumprir um
dever, / Ter um livro para ler / E não fazer! / Ler é maçada […]”, como refere
Fernando Pessoa.
Todavia, estamos alertados desde o século XIX, para o facto de que “É coisa
fácil ler; mas é difícil reflectir. Não podemos apropriar-nos das ideias dos
outros senão pela reflexão, que faz parte de nós mesmos.” (E. M. Campagne,
Dicionário Universal de Educação e Ensino)
É que ler não é apenas a pura operação mecânica de juntar letras, formando
palavras, que transportam sentidos. É, antes, aceder ao conhecimento das
duas realidades que nos são naturais: o mundo e o homem. Por isso a leitura
é importante e a sua ausência limita a cidadania.
Há quem diga que na Grécia não havia analfabetos entre os cidadãos
gregos, cerca de um terço dos habitantes, sendo os dois restantes
constituídos por escravos e estrangeiros. É que a leitura era uma actividade
ritual, inerente à cidadania e à vida democrática, fosse no teatro, fosse no
culto, fosse na administração popular da justiça. A leitura pública fazia parte
da maioridade cívica. Era pelo rito, incluindo a leitura, que o jovem assimilava
o pensar e o sentir, o fazer e o ver, o atacar, o defender e o decidir.
Ontem como hoje, lê-se sempre o homem, todos os homens, interior ou
exteriormente; lê-se sempre o mundo, social e político, mas também físico,
metafísico ou cósmico. Estes são os complementos sobre os quais recai a
acção do verbo ler. Deles decorre a dupla dificuldade da leitura: a actividade
exigente solicitada ao leitor e a dureza dos objectos a ler.
A dificuldade é de tal ordem que grandes figuras a confessam e exprimem de
forma enfática, como Goethe: “A gente não sabe o tempo e o esforço que são
necessários para aprender a ler. Eu tento-o há oitenta anos, e não posso
afirmar que o tenha conseguido” (Conversações com Eckermann, in Noesis,
n.º 68, Janeiro/Março 2007: 24).
exigente solicitada ao leitor e a dureza dos objectos a ler.
A dificuldade é de tal ordem que grandes figuras a confessam e exprimem de
forma enfática, como Goethe: “A gente não sabe o tempo e o esforço que são
necessários para aprender a ler. Eu tento-o há oitenta anos, e não posso
afirmar que o tenha conseguido” (Conversações com Eckermann, in Noesis,
n.º 68, Janeiro/Março 2007: 24).
Editorial, Correio da Educação Nº328 - J. Esteves Rei
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Livro do mês

Título: A Fórmula de Deus
Autor: José Rodrigues dos Santos
Editor: Gradiva Publicações
ISBN: 9789896161392
Ano de Edição/ Reimpressão: 2006
N.º de Páginas: 576
Encadernação: Capa mole
Dimensões: 16 x 23 x 4 cm
Nas escadarias do Museu Egípcio em pleno Cairo, Tomás Noronha é abordado por uma desconhecida. Chama-se Ariana Pakravan, é iraniana e traz consigo a cópia de um documento inédito, um velho manuscrito com um estranho título e um poema enigmático. O inesperado encontro lança Tomás numa empolgante aventura, colocando-o na rota da crise nuclear com o Irão e da mais importante descoberta jamais efectuada por Albert Einstein, um achado que o conduz ao maior de todos os mistérios: a prova científica da existência de Deus. Uma história de amor, uma intriga de traição, uma perseguição implacável, uma busca espiritual que nos leva à mais espantosa revelação mística de todos os tempos. Baseada nas últimas e mais avançadas descobertas científicas nos campos da física, da cosmologia e da matemática, A Fórmula de Deus transporta-nos numa surpreendente viagem até às origens do tempo, à essência do universo e o sentido da vida.
Outras obras do autor:
A filha do Capitão
O Codex 6322
O Sétimo Selo
Comentários dos nossos leitores:
1- " Achei este romance muito interessante porque o autor consegue, ao longo de toda a narrativa, despertar o meu interesse e prende-me aos acontecimentos, que vai narrar de seguida. Foi capaz de dosear muito bem os modos de apresentação da narrativa através da utilização do diálogo, narração e descrição, o que torna a história mais dinâmica. Para além disso é um romance com o recurso à ciência, concretamente à Física e Química e Matemática, o que me atraiu bastante. Há ainda a tentativa de provar cientificamente a existência de Deus".
Mariana Dinis nº 19 11º C
2- "Na minha opinião, o livro tem uma história muito interessante e fascinante. No entanto não aprecio o estilo do autor que, talvez pela sua profissão de jornalísta, usa e abusa do diálogo e apresenta raciocínios demasiado extensos".
José Brites º17 11ºC
Fonte: Webboom
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Liberdade - Fernando Pessoa
Nota: 1) Fernando Pessoa nasceu a 13 de Junho de 1888.
2) Faz cento e vinte anos.
3) A biblioteca quer lembrar a data deixando aqui este poema.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Dias trabalhosos na biblioteca...
Nota: O fim do ano lectivo está próximo e a biblioteca tem sido o ponto de socorro para a resolução de grandes problemas escolares. As imagens demonstram o trabalho intenso...
quinta-feira, 29 de maio de 2008
1 de Junho - Dia Mundial da Criança
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o Dia Mundial da Criança não é só uma festa onde as crianças ganham presentes.
É um dia em que se pensa nas centenas de crianças que continuam a sofrer de maus tratos, doenças, fome e discriminações (discriminação significa ser-se posto de lado por ser diferente).
É um dia em que se pensa nas centenas de crianças que continuam a sofrer de maus tratos, doenças, fome e discriminações (discriminação significa ser-se posto de lado por ser diferente).
Sabias que o primeiro Dia Mundial da Criança foi em 1950?Tudo começou logo depois da 2ª Guerra Mundial, em 1945.Muitos países da Europa, do Médio Oriente e a China entraram em crise, ou seja, não tinham boas condições de vida.
As crianças desses países viviam muito mal porque não havia comida e os pais estavam mais preocupados em voltar à sua vida normal do que com a educação dos filhos. Alguns nem pais tinham!

Como não tinham dinheiro, muitos pais tiravam os filhos da escola e punham-nos a trabalhar, às vezes durante muitas horas e a fazer coisas muito duras.
Sabias que mais de metade das crianças da Europa não sabia ler nem escrever? E também viviam em péssimas condições para a sua saúde.
Em 1946, um grupo de países da ONU (Organização das Nações Unidas) começou a tentar resolver o problema. Foi assim que nasceu a UNICEF.Clica aqui para leres sobre esta organização.
Mesmo assim, era difícil trabalhar para as crianças, uma vez que nem todos os países do mundo estavam interessados nos direitos da criança.
Foi então que, em 1950, a Federação Democrática Internacional das Mulheres propôs às Nações Unidas que se criasse um dia dedicado às crianças de todo o mundo.

Este dia foi comemorado pela primeira vez logo a 1 de Junho desse ano!
Com a criação deste dia, os estados-membros das Nações Unidas, reconheceram às crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social o direito a:
- afecto, amor e compreensão;
- alimentação adequada;
- cuidados médicos;
- educação gratuita;
- protecção contra todas as formas de exploração;
- crescer num clima de Paz e Fraternidade universais.
Sabias que em só nove anos depois, em 1959 é que estes direitos das crianças passaram para o papel?
A 20 de Novembro desse ano, várias dezenas de países que fazem parte da ONU aprovaram a "Declaração dos Direitos da Criança".
Trata-se de uma lista de 10 princípios que, se forem cumpridos em todo o lado, podem fazer com que todas crianças do mundo tenham uma vida digna e feliz.
Claro que os Dia Mundial da Criança foi muito importante para os direitos das crianças, mas mesmo assim nem sempre são cumpridos.
Então, quando a "Declaração" fez 30 anos, em 1989, a ONU também aprovou a "Convenção sobre os Direitos da Criança", que é um documento muito completo (e comprido) com um conjunto de leis para protecção dos mais pequenos (tem 54 artigos!).
Clica aqui para os leres. Estão escritos de uma forma mais simples para tu os perceberes melhor.
Esta declaração é tão importante que em 1990 se tornou lei internacional!
Ilustrações: Profª Fernanda Gonçalves
Fonte do texto: Junior.TE.pt
quarta-feira, 28 de maio de 2008
quinta-feira, 22 de maio de 2008
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Actividades desenvolvidas 2007/08
Nota: Estas são algumas das actividades que esta biblioteca desenvolveu ao longo do ano lectivo 2007/08
sexta-feira, 16 de maio de 2008
terça-feira, 13 de maio de 2008
Chegou a blogomania
Um weblog, blog ou blogue é uma página da Web que se vai actualizando frequentemente através da colocação de mensagens, podendo estas conter imagens, ligações, pequenos vídeos e textos com comentários e pensamentos pessoais do autor. Podemos ainda definir blogue como: um diário na web; uma página pessoal ou profissional com reflexões, comentários, apontamentos e hiper ligações; uma página web de uso fácil onde se podem publicar ideias, interagir com pessoas, etc; uma forma simples e fácil de estar em linha; um meio de comunicação e partilha.
A criação e edição de blogues são muito atractivos pelas facilidades que oferecem, pois dispensam o conhecimento de HTML, o que atrai as pessoas a criá-los.
Neste sentido podemos afirmar que blogar é escrever o que pensamos quando lemos o que outros escreveram. Assim, nasce a chamada blogosfera que é a comunidade e conteúdos que constituem os blogues, é o conjunto de quem faz, de quem disponibiliza e de quem lê blogues.
A nível da visualização do blogue e de acordo com os serviços disponibilizados pelos sítios responsáveis pela sua criação, há a possibilidade de limitar a visualização dos mesmos, em que apenas o próprio autor ou então um grupo por ele escolhido o podem visualizar.
Qualquer um, sem grandes conhecimentos informáticos, pode criar um blogue em apenas alguns minutos. Existem sítios, como por exemplo o http://blogspot.com/ e wordpress.com/ (a nível mundial) e o http://blogs.sapo.pt/ (a nível nacional) que facilmente criam, gerem e alojam gratuitamente os blogues. Para além destes sítios existem outros que permitem o uso de outras ferramentas complementares como por exemplo a possibilidade de ter dados estatísticos de acesso ao blogue, a possibilidade de saber quais foram as mensagens que os navegantes mais leram, a possibilidade de actualizar o blogue via e-mail, entre outras, no entanto estas funcionalidades, nem todas, não estão disponíveis gratuitamente sendo necessário o pagamento das mesmas.
A BE/CRE – A Casa de Camilo - criou o seu blogue em Dezembro do ano transacto: http://www.casabiblo.blogspot.com/ com o objectivo de aproximar a biblioteca dos seus leitores e levá-los a participar mais activamente na vida deste espaço da escola. Aqui, os leitores da biblioteca, poderão encontrar informações das actividades que se vão desenvolvendo e descobrir informações úteis para o dia a dia de um leitor, como por exemplo: como elaborar um trabalho escolar, entre outras informações, demasiado úteis.
O blogue da biblioteca tornou-se uma mais valia para a equipa educativa da biblioteca pois permitiu-lhe criar e publicar o que se vai fazendo de uma forma fácil e rápida.

Terminamos com esta pequena curiosidade: comemora-se o dia do blogue no dia 31 de Agosto. Fica ainda o desafio: cria o teu próprio blogue e para o enriquecer socorre-te do da biblioteca que te ensinará a fazê-lo.
O Coordenador da BE/CRE – A Casa de Camilo
segunda-feira, 12 de maio de 2008
"Os Maias" e o nosso tempo
«A impressão geral que nos fica da leitura d’Os Maias, nomeadamente do último capítulo, é a de uma sociedade decadente, despersonalizada, apática e sem vontade de progredir.»
Será esta visão muito diferente da que alguns cronistas actuais têm de Portugal do século XXI?
Desde que aprendi a ler e me interessei por jornais ou revistas, que fiquei com a sensação de viver num país onde o pessimismo e a descrença eram as palavras de ordem. A verdade é que, analisando com mais atenção as crónicas e os artigos de opinião que povoam a imprensa portuguesa, salientando a sua inferioridade em relação às restantes sociedades europeias, não podia causar outro efeito se não a de implementar uma mentalidade pessimista e depressiva.
Abri o Jornal de Notícias de segunda-feira, 14 de Abril de 2008, dirigi-me à secção de opinião e logo me deparei com um artigo da autoria de um deputado do PCP acerca de economia política, que criticava ferozmente a eficácia da actuação do governo na cobrança de impostos. Fala-se de política, logo nos vem a palavra défice à memória, de tão explorado que o assunto está pela comunicação social e pelos políticos, sejam eles da oposição ou não. De facto, quando se trata de criticar, o português não economiza palavras. Também n’Os Maias, cuja acção decorreu há mais de um século, se debate política e finanças, e se reprova o já estado decadente da nação. A verdade é que tanto no Portugal d’Os Maias como no Portugal contemporâneo o governo português não é famoso pela sua qualidade de gestão, combate à criminalidade e independência de países estrangeiros.

No episódio do Hotel Central, da obra do deliciosamente irónico Eça de Queirós, Dâmaso protagoniza uma peripécia onde está bem evidente o espírito que o português típico ainda hoje mantém. No prolongamento da conversa sobre o estado da economia portuguesa, este caricaturado personagem afirma, com «ar de bom senso e de finura», que «Se as coisas chegassem a esse ponto, se se pusessem assim feias, eu cá, à cautela, ia-me raspando para Paris.» Esta foi a opinião, por uma vez sincera embora infeliz, de Dâmaso Salcede.
Enquanto redijo este texto vou-me deparando na minha pesquisa, com inúmeros artigos no Jornal de Notícias, Correio da Manhã ou Público, entre outros, acerca da fraude fiscal que se coadunam com a ideia do personagem d’Os Maias. Para quê fazer algo em prol do nosso tão estimado país, daquele que foi nosso berço de nascimento, e ter que pagar os elevadíssimos impostos que os nossos governantes nos impõem, se podemos ver-nos livres desse encargo e contribuir para a falência de tão querido país?
Os tempos mudam, mas as mentalidades não. Estão de tal forma enraizadas em alguns estratos sociais que, se não fosse aluna da disciplina de Biologia, poderia afirmar que se tratava de uma questão hereditária.
Tomando ainda como exemplo Dâmaso, este «cabide de defeitos[1]» que Eça de Queirós utiliza para «ajustar as suas contas com a humanidade[2]», temos um exemplo do novo-riquismo, que é, actualmente, tão medíocre e ridículo como na época da Monarquia. Histórias acerca de damas e cavalheiros que se exibem com automóveis e roupas de luxo e que frequentam os mais badalados locais de convívio, mas que sofrem de amnésia quando se trata de pagar os bens que ostentam, não faltam na praça pública. Porém, tal como para este admirador de Carlos da Maia, o importante é o «chique a valer».
Como último exemplo, visto que na minha opinião já não há grande margem para dúvidas acerca do paralelismo entre a sociedade contemporânea e a sociedade do século XIX, apresento as corridas de cavalos.
Este episódio no hipódromo lisboeta é um exemplo vivo da futilidade, da falta de originalidade portuguesa, da imitação que se procurou e ainda hoje se procura fazer dos costumes de outros países. Felizmente, as corridas de cavalos como Eça de Queirós nos apresentou são para mim desconhecidas na actualidade. Este evento foi substituído pelas famosas festas do jet-set onde já é mais adequado os convidados pavonearem-se com os seus vestidos de veludo e renda ou com os seus fatos de alta-costura. No entanto, o objectivo é o mesmo. E tal como a Corneta do Diabo, a imprensa cor-de-rosa actual não deixa para outrem o seu papel de revelar as tramas de vidas alheias.
«Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades/ Muda-se o ser, muda-se a confiança; / Todo o mundo é composto de mudança, / Tomando sempre novas qualidades.», Poetizou o grande português Luís Vaz de Camões, no século XVI.
Na minha humilde opinião de espectadora de alguns dos casos que se vão desenrolando no panorama da sociedade portuguesa, penso que as vontades e o ser não mudaram assim tanto com o decorrer dos tempos. Talvez haja uma mudança nos objectivos particulares a que nos propomos, talvez sejam diferentes os problemas que vão surgindo, mas as suas causas e efeitos gerais prevalecem os mesmos desde o nascer do Homem.
Assim, para concluir, respondo com bastante firmeza à questão que foi levantada: embora seja incomparável a escrita do grande Eça, a visão que este fazia de Portugal é muito semelhante àquela que, actualmente, cronistas ou meros leitores têm do nosso país.
Joane, 15 de Abril de 2008
Cristina Silva, n.º 7, 11.º E
[1] in Eça de Queirós, Os Maias, Apontamentos Europa-América, 4.º edição, Abril de 2004
[2] idem
Será esta visão muito diferente da que alguns cronistas actuais têm de Portugal do século XXI?
Desde que aprendi a ler e me interessei por jornais ou revistas, que fiquei com a sensação de viver num país onde o pessimismo e a descrença eram as palavras de ordem. A verdade é que, analisando com mais atenção as crónicas e os artigos de opinião que povoam a imprensa portuguesa, salientando a sua inferioridade em relação às restantes sociedades europeias, não podia causar outro efeito se não a de implementar uma mentalidade pessimista e depressiva.
Abri o Jornal de Notícias de segunda-feira, 14 de Abril de 2008, dirigi-me à secção de opinião e logo me deparei com um artigo da autoria de um deputado do PCP acerca de economia política, que criticava ferozmente a eficácia da actuação do governo na cobrança de impostos. Fala-se de política, logo nos vem a palavra défice à memória, de tão explorado que o assunto está pela comunicação social e pelos políticos, sejam eles da oposição ou não. De facto, quando se trata de criticar, o português não economiza palavras. Também n’Os Maias, cuja acção decorreu há mais de um século, se debate política e finanças, e se reprova o já estado decadente da nação. A verdade é que tanto no Portugal d’Os Maias como no Portugal contemporâneo o governo português não é famoso pela sua qualidade de gestão, combate à criminalidade e independência de países estrangeiros.

No episódio do Hotel Central, da obra do deliciosamente irónico Eça de Queirós, Dâmaso protagoniza uma peripécia onde está bem evidente o espírito que o português típico ainda hoje mantém. No prolongamento da conversa sobre o estado da economia portuguesa, este caricaturado personagem afirma, com «ar de bom senso e de finura», que «Se as coisas chegassem a esse ponto, se se pusessem assim feias, eu cá, à cautela, ia-me raspando para Paris.» Esta foi a opinião, por uma vez sincera embora infeliz, de Dâmaso Salcede.
Enquanto redijo este texto vou-me deparando na minha pesquisa, com inúmeros artigos no Jornal de Notícias, Correio da Manhã ou Público, entre outros, acerca da fraude fiscal que se coadunam com a ideia do personagem d’Os Maias. Para quê fazer algo em prol do nosso tão estimado país, daquele que foi nosso berço de nascimento, e ter que pagar os elevadíssimos impostos que os nossos governantes nos impõem, se podemos ver-nos livres desse encargo e contribuir para a falência de tão querido país?
Os tempos mudam, mas as mentalidades não. Estão de tal forma enraizadas em alguns estratos sociais que, se não fosse aluna da disciplina de Biologia, poderia afirmar que se tratava de uma questão hereditária.
Tomando ainda como exemplo Dâmaso, este «cabide de defeitos[1]» que Eça de Queirós utiliza para «ajustar as suas contas com a humanidade[2]», temos um exemplo do novo-riquismo, que é, actualmente, tão medíocre e ridículo como na época da Monarquia. Histórias acerca de damas e cavalheiros que se exibem com automóveis e roupas de luxo e que frequentam os mais badalados locais de convívio, mas que sofrem de amnésia quando se trata de pagar os bens que ostentam, não faltam na praça pública. Porém, tal como para este admirador de Carlos da Maia, o importante é o «chique a valer».
Como último exemplo, visto que na minha opinião já não há grande margem para dúvidas acerca do paralelismo entre a sociedade contemporânea e a sociedade do século XIX, apresento as corridas de cavalos.
Este episódio no hipódromo lisboeta é um exemplo vivo da futilidade, da falta de originalidade portuguesa, da imitação que se procurou e ainda hoje se procura fazer dos costumes de outros países. Felizmente, as corridas de cavalos como Eça de Queirós nos apresentou são para mim desconhecidas na actualidade. Este evento foi substituído pelas famosas festas do jet-set onde já é mais adequado os convidados pavonearem-se com os seus vestidos de veludo e renda ou com os seus fatos de alta-costura. No entanto, o objectivo é o mesmo. E tal como a Corneta do Diabo, a imprensa cor-de-rosa actual não deixa para outrem o seu papel de revelar as tramas de vidas alheias.
«Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades/ Muda-se o ser, muda-se a confiança; / Todo o mundo é composto de mudança, / Tomando sempre novas qualidades.», Poetizou o grande português Luís Vaz de Camões, no século XVI.
Na minha humilde opinião de espectadora de alguns dos casos que se vão desenrolando no panorama da sociedade portuguesa, penso que as vontades e o ser não mudaram assim tanto com o decorrer dos tempos. Talvez haja uma mudança nos objectivos particulares a que nos propomos, talvez sejam diferentes os problemas que vão surgindo, mas as suas causas e efeitos gerais prevalecem os mesmos desde o nascer do Homem.
Assim, para concluir, respondo com bastante firmeza à questão que foi levantada: embora seja incomparável a escrita do grande Eça, a visão que este fazia de Portugal é muito semelhante àquela que, actualmente, cronistas ou meros leitores têm do nosso país.
Joane, 15 de Abril de 2008
Cristina Silva, n.º 7, 11.º E
[1] in Eça de Queirós, Os Maias, Apontamentos Europa-América, 4.º edição, Abril de 2004
[2] idem
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Dia da Europa
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